Angela Gertrud Appel Nabhan nasceu em 25 de setembro de 1965 na cidade de Rolândia, no Norte do Paraná. Filha caçula do mestre relojoeiro Siegfried Christoph Appel e da modista e pioneira teuto-brasileira Sonja Helga Trude Stegmann Appel, sua chegada completou o círculo familiar na histórica residência da esquina das ruas Santos Dumont e Hugo Maria do Vale. Seu nome de batismo foi escolhido como uma homenagem à força e à memória ancestral da avó paterna, a matriarca silesiana Gertrud Adolph Appel.
A Infância na Esquina da Oficina Breslau
A meninice de Angela desdobrou-se sob a luz e o pulsar da Oficina Breslau, cercada pelo tique-taque dos maquinários e pelo carinho dos irmãos mais velhos, Ilona e Roger.
Entre as recordações que marcaram seus primeiros anos na terra roxa, destacam-se:
O Batizado de 1968: Celebrou seu batizado ao lado do irmão Roger em um almoço de domingo memorável na residência da família, ocasião que inaugurou a primeira celebração oficial da casa após as ampliações da oficina e do imóvel.
O Olhar Curioso da Infância (1969): Aos quatro anos de idade, registrou na memória a cena urbana na calçada da esquina em que um homem exigia cortar o cabelo de jovens que passavam, episódio que culminou na brincadeira do pai com a tesoura para distensionar o momento.
A Magia do Gravador de Rolo (1971): Viveu a novidade da visita de avião do Onkel Willi, que trouxe da Alemanha um gravador de fitas magnéticas (Tonbandgerät), capturando em áudio os risos, cantos e as vozes da infância de Angela e dos irmãos em Rolândia .
A Conexão de 10 de Fevereiro de 1972
Com apenas seis anos de idade, Angela esteve no centro de um dos momentos mais comoventes da história espiritual da linhagem. Em fevereiro de 1972, durante uma viagem com a mãe e os irmãos para a cidade de Blumenau (SC), vivenciou uma experiência marcante na exata madrugada do falecimento de Siegfried em Rolândia.
Ao despertar sobressaltada junto com a irmã Ilona — que relatava em lágrimas o sonho da despedida e das palavras de conforto do pai —, a pequena Angela completou a revelação ao relatar sua própria vivência: "Mãe, também sonhei, mas eu estava no céu olhando para baixo o enterro". O episódio selou a ligação profunda e o mistério que unia os filhos ao destino do patriarca.
Expressão Artística e Coautoria do Memorial
Angela herdou a veia visual e o talento plástico que sempre transitaram no sangue dos Appel. Sua dedicação manifestou-se tanto na recriação de passagens cruciais do passado quanto na edificação documental da obra familiar:
Recriação Pictórica do Cativeiro: É de sua autoria a tela a óleo que reconstitui um dos momentos mais emblemáticos da vida de seu pai: a cena noturna no Campo 7212, onde o jovem Siegfried utiliza sua perícia para consertar os relógios dos sentinelas soviéticos sobre uma bancada improvisada, garantindo a sopa nutritiva que salvou sua vida da fome.
Coautora de "O Relojoeiro de Breslau": Integrou a equipe de criação e redação da obra ao lado de seu irmão Roger Roland Appel e de sua irmã Ilona Ingrid Appel Farina, atuando ativamente no resgate das memórias orais e na revisão do legado deixado por seus pais.
Legado
Angela Gertrud Appel Nabhan personifica a sensibilidade e a continuidade da linhagem Appel na terra roxa: a filha que trouxe no próprio nome o tributo à matriarca silesiana e que, através de sua expressão nas artes e da fidelidade memorialista, garantiu que a história de sacrifício, precisão e afeto de sua família permanecesse viva e honrada para as próximas gerações.