Frieda Stegmann (nascida Hirt) — carinhosamente lembrada como a Oma Frieda — nasceu em 1895 na Alemanha. Matriarca de têmpera corajosa, inteligência aguçada e profundo amor pela família, foi uma das figuras centrais da epopeia de imigração e fixação do clã Stegmann no solo brasileiro. As Primeiras Travessias do Atlântico (1923 – 1934). Casada com o mestre relojoeiro Wilhelm Stegmann, Frieda enfrentou o desafio das grandes travessias oceânicas não apenas uma, mas duas vezes ao longo da vida: A Primeira Experiência em Santa Catarina (1923–1928): No final de 1923, logo após o nascimento do filho Walter, acompanhou seus pais (família Hirt) e Wilhelm até o núcleo colonial de Hansa Hamonia (atual Ibirama, SC). Após quatro anos de dura adaptação ao isolamento da mata, a família decidiu retornar à Alemanha, restabelecendo-se em Schwenningen am Neckar em fevereiro de 1928. A Grande Travessia Solitária com os Filhos (1934): Uma década depois, após o marido Wilhelm partir na vanguarda para o Paraná em 1933, Frieda organizou a partida do restante da família. Munida de vistos aprovados em Berlim em 22 de junho de 1934, encarou semanas no mar segurando nos braços a caçula Helga — então uma bebê de apenas um ano e meio — e conduzindo os filhos maiores rumo ao reencontro do patriarca. A Crueza de Castro e a Sabedoria Materna. Ao chegar à Colônia Terra Nova Garcez, em Castro (PR), deparou-se com a rústica cabana de madeira de 3x3 metros. Frieda desdobrou-se para transformar a carência material em um lar acolhedor.
Sobrevivência: Enfrentou a falta de água encanada buscando baldes no córrego e soube administrar a alimentação da casa com rigor para manter de pé os homens que derrubavam a mata.
A Paixão pela Leitura: Apaixonada por romances e pela literatura germânica, lia histórias em voz alta para os filhos. Foi através de sua astúcia materna — fechando os livros no clímax da narrativa e desafiando Helga a decifrar o restante — que a filha tornou-se uma leitora autodidata em alemão.
Simpatia e Costumes: Enquanto tentava assimilar o português (arrancando risadas da amiguinha cabocla Odete com seu sotaque), preservou intactas as tradições e os valores de sua terra natal. A Conquista de Rolândia e o Trabalho da Roça (1944).
Com as perseguições policiais da época da guerra em Castro, Frieda e a filha Helga migraram para Rolândia em 1944, viajando de trem de forma protegida enquanto os homens conduziam a pesada mudança pela estrada do cerne. Na nova terra, enquanto a jovem Helga gerenciava as tarefas domésticas e costurava, Frieda assumiu o trabalho pesado na lavoura para garantir o sustento familiar e fincar raízes sólidas na terra roxa do Norte do Paraná. O Chamado de Volta e os Anos de Ouro na Esquina Histórica. Estabelecida na casa de madeira na esquina das ruas Santos Dumont e Hugo Maria do Vale, em Rolândia, a saudade da filha caçula — que retornara à Europa nos anos 1950 — falava mais alto. Foi a carta calorosa e o clamor de Frieda que motivaram Helga e o genro, Siegfried Appel, a imigrarem para o Brasil em 1959. Acolhimento da Família: Em 1961, recebeu de braços abertos a filha, o genro relojoeiro e a primogênita Ilona em sua residência. Ali viveu em harmonia, ocupando mais tarde a edícula dos fundos com o Opa Wilhelm, enquanto a Oficina Breslau prosperava na frente do terreno. Elo Afetivo e Cultural: No cotidiano, Frieda era a guardiã do aconchego familiar. Conversava com o marido no tradicional dialeto suábio (Schwäbisch), acompanhava o noticiário na TV Telefunken ao lado de Siegfried e cobria os netos — Ilona, Roger e Angela — de carinho e proteção. Legado e Falecimento. A Oma Frieda viveu uma existência longa e frutuosa, falecendo em 1984, aos 89 anos de idade. Frieda Stegmann personificou a alma das grandes mães pioneiras: mulher de fibra, generosidade inesgotável e sabedoria prática, que cruzou oceanos para proteger seus filhos e cujo amor foi o elo que uniu o destino dos Stegmann e dos Appel sob o sol acolhedor do Paraná