Pessoas

Jan Walter Stegmann

Primo, Sobrinho

1955 – presente

Jan Walter Stegmann
O Dr. Jan Walter Stegmann é médico infectologista, intensivista e clínico geral, formado em 1979 pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Com uma carreira de mais de 45 anos dedicada à saúde no norte do Paraná, construiu um forte legado ético, atuando como conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) por duas gestões consecutivas (2013–2018 e 2018–2023), sob o registro CRM-PR 6.546. Casado com Marcia Maria Garla Stegmann, ele estabeleceu sua família em Londrina (PR), e sua trajetória de dedicação à vida serviu de inspiração para que seu filho também abraçasse a carreira médica.
Para o resgate de nossa história e o projeto do memorial familiar, a colaboração de Jan foi inestimável. Ele trouxe à luz memórias fundamentais sobre a história da Serra do Cadeado, a prisão de seu pai, Walter, em Castro por ser alemão na época da Segunda Guerra Mundial, e datas cruciais da família Stegmann.
Suas lembranças, sempre ricas e afetivas, ajudam a ilustrar a verdadeira dimensão de nossos antepassados. Jan guarda na memória, por exemplo, a imagem poética de meu pai pintando quadros de paisagens enquanto as crianças brincavam ao redor. Recorda-se também das muitas vezes em que meu pai ia até a sua casa para longas conversas com Walter, mantendo vivos os laços fraternos.
Essas recordações são marcadas por uma franqueza e humanidade tocantes. Foi Jan o protagonista de uma inesquecível passagem na sala de televisão, utilizada no memorial como um insight do futuro no capítulo 4. Na ocasião, o então jovem Jan, arrebatado pelo dinamismo ingênuo das cenas de combate na tela, aproveitou a atmosfera. Olhando para o veterano ali presente, disparou a curiosidade direta dos jovens: “E aí, tio, matou muito russo na guerra?” Siegfried não buscou o tom dramático do cinema, não ostentou feitos militares e tampouco se esquivou com severidade. Ele, que na ocasião tinha cerca de 41 anos de idade e estava no vigor de sua maturidade profissional e familiar, olhou para o sobrinho e, com a sobriedade desarmada de quem conheceu a verdadeira névoa do front, deu a resposta exata que resumia o caos de sua juventude sacrificada: “A gente atirava sim, mas nem sabia direito para onde.”
Além desse momento singular, Jan guardou e compartilhou outra memória, nua, crua e contada com o coração – tamanha a riqueza de detalhes –, sobre o dia em que ele e seu pai precisaram arrombar a porta da casa de meu pai. Embora seja uma cena forte que acabou não sendo incluída na versão final do memorial, a forma tão especial e autêntica com que foi compartilhada reafirma o seu papel. Jan não é apenas um médico dedicado em sua comunidade, mas um verdadeiro e sincero guardião das vivências mais profundas de nossa família.
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