Max Appel
Max Appel nasceu em Breslau, na província da Silésia, em 20 de maio de 1892. Homem de têmpera prática e firmeza moral, atravessou a juventude sob o impacto da Primeira Guerra Mundial e consolidou sua vida civil na década de 1920 como um respeitado comerciante (Kaufmann / kaufmännischer Angestellter).
Em busca de descanso da agitação industrial da metrópole silesiana, Max costumava viajar para as Riesengebirge (Montanhas Gigantes). Foi no tradicional chalé alpino Kochelfallbaude, na vila de Petersdorf, que seu destino cruzou-se com o de Gertrud Adolph, filha do hoteleiro local Wilhelm Adolph. O romance nascido junto às montanhas culminou no casamento realizado na primavera de 1923, em Petersdorf.
De volta a Breslau, o casal construiu uma vida próspera e estruturada. Estabeleceram a residência da família na nobre e arborizada Rua Scheitniger, nº 18, nas imediações do Jardim Botânico. Com visão empreendedora e fruto de seu trabalho comercial, Max adquiriu um sólido patrimônio imobiliário: um prédio residencial de aluguel (Mietwohngrundstück) situado na Rua Mohnhaupt, nº 8.
Dessa união nasceram quatro filhos: Günter Appel, Gisela Appel, Siegfried Christoph Appel e Hubert Appel.
No ambiente doméstico, Max personificava o pragmatismo e o rigor da ética de trabalho germânica. Foi sob a sua orientação que o jovem Siegfried foi direcionado à precisão milimétrica dos ofícios mecânicos, ingressando como aprendiz de relojoeiro na renomada oficina de Otto Barluschke.
O destino de Max e de seu patrimônio, contudo, foi tragado pelo cataclismo da Segunda Guerra Mundial. Nos estertores do conflito, já cinquentenário, Max foi convocado para a milícia de defesa popular (Volkssturm) durante o brutal cerco à Cidade-Fortaleza de Breslau (Festung Breslau). Testemunhou a destruição do próprio lar quando as forças alemãs demoliram quarteirões da Rua Scheitniger para a construção da pista militar improvisada da Kaiserstraße.
Max desapareceu na voragem de 1945. Até hoje, a ausência de registros definitivos mantém o mistério sobre seu fim — não se sabe se pereceu entre os combates e escombros no colapso de Breslau, ou se encontrou a morte em algum cativeiro nos confins da Rússia soviética; um enigma histórico que sua família ainda busca esclarecer. Juridicamente, contudo, para fins civis de sua viúva e filhos na Alemanha pós-guerra, sua data oficial de falecimento precisou ser fixada em 31 de dezembro de 1945 pelo Tribunal de Primeira Instância de Wolfenbüttel (Amtsgericht Wolfenbüttel).
Embora a guerra tenha apagado seus passos físicos, o nome de Max Appel permaneceu gravado na memória de seus descendentes. Foi a busca angustiada pelo paradeiro do pai que motivou as primeiras cartas enviadas por Siegfried — que, em seu próprio cativeiro russo e através da Cruz Vermelha em Moscou, não fazia ideia de que Max já havia falecido. Essa busca incessante ajudou a manter viva uma linhagem que, anos mais tarde, floresceria no Brasil