Wilhelm Stegmann (1896 – 1974)
Wilhelm Stegmann — carinhosamente lembrado como o Opa Wilhelm — nasceu em 26 de junho de 1896 na tradicional cidade de Schwenningen am Neckar, no sudoeste da Alemanha (Baden-Württemberg). Mestre relojoeiro (Uhrmachermeister) de formação e homem de têmpera firme, sua trajetória personificou o contraste entre a precisão milimétrica das oficinas europeias e a bravura crua do pioneirismo no interior do Brasil.
A Primeira Experiência no Sul do Brasil (1923 – 1928)
Casado com Frieda Hirt (nascida em 1895), Wilhelm formou com a esposa o pilar de uma linhagem de trabalhadores incansáveis.
No final de 1923, logo após o nascimento do filho Walter em Schwenningen, a família Hirt-Stegmann migrou pela primeira vez ao Brasil, estabelecendo-se no núcleo colonial de Hansa Hamonia (atual Ibirama), em Santa Catarina. Enfrentando o isolamento da mata fechada e a crueza das condições locais, a família permaneceu cerca de quatro anos na região. Diante dos imensos desafios da época, decidiram retornar à Alemanha, restabelecendo oficialmente sua residência em Schwenningen em 25 de fevereiro de 1928.
O Desbravador Solitário e o Retorno Definitivo (1933)
O espírito inquieto de Wilhelm, contudo, não desistiu da promessa do Novo Mundo. Munido de seu Atestado Policial de Boa Conduta (Polizeiliches Führungszeugnis) emitido em 8 de julho de 1933, e com o visto consular brasileiro aprovado em Berlim em 17 de julho de 1933, o patriarca partiu sozinho na vanguarda da imigração.
Ao desembarcar no Brasil, o contraste foi imediato: o mestre relojoeiro trocou as pinças e lupas de alta precisão pelo corte bruto do machado. Desbravou os Campos Gerais do Paraná, passou por Carambeí e fixou-se no município de Castro, na Colônia Terra Nova Garcez. Ali, ergueu com as próprias mãos uma rústica habitação de madeira de 3x3 metros para aguardar a retaguarda familiar — que desembarcou no ano seguinte, em julho de 1934, trazendo a esposa Frieda, os filhos e a pequena Helga, então com apenas um ano e meio.
Disciplina, Provações e o Êxodo para o Norte (1944)
A vida naquele perímetro colonial impunha provações diárias. Wilhelm enfrentou a mata fechada e uma escassez severa na entressafra. A dinâmica familiar exigia disciplina espartana: as porções maiores de comida eram destinadas aos homens, uma dolorosa estratégia de sobrevivência biológica para manter de pé aqueles que executavam o brutal trabalho braçal sob o sol.
O cenário tornou-se insustentável com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial em 1942. O clima de perseguição oficial aos imigrantes alemães atingiu o ápice quando seu filho Walter foi detido pelas patrulhas policiais em Castro por quebrar o toque de recolher. Esse clima de opressão acelerou os planos de fuga em busca de novos horizontes.
Foi assim que Wilhelm autorizou a partida do filho Walter como vanguarda para Rolândia. Com o sucesso do primogênito, o patriarca comandou o êxodo de todo o restante do clã Stegmann no ano de 1944. A mudança pesada seguia acomodada em uma imensa carroça de madeira. Durante a perigosa descida de uma serra íngreme naquela rota, a vida e o patrimônio da família foram salvos por um ato de heroísmo do cavalo Rosílio, que fincou as patas traseiras no solo e evitou que a carroça despencasse ribanceira abaixo.
Após quinze dias de travessia e o cruzamento do Rio Tibagi, Wilhelm e sua família pisaram definitivamente no chão rolandense. Foi na terra roxa que ele encerrou sua jornada de desbravador, plantando raízes profundas e garantindo que sua linhagem prosperasse.